terça-feira, 12 de março de 2019

Refexões sobre a Quaresma

Resgatando uma reflexão do ano passado, de nosso blog somosumbanda.blogspot.com, gostaria de compartilhar meus pensamentos. Estamos em pleno período pós-carnaval e, segundo algumas religiões, estamos no período da quaresma. A pergunta (sem querer movimentar discussões acaloradas) é: Na Umbanda, temos quaresma? A partir de algumas conversas e leituras, questionei-me:

1- Por que todo ano a mesma celeuma?

2- Qual o objetivo de levantar essas discussões?

3- O que muda na prática e na crença da religião as divergências dos procedimento?

4- Há UMA lei que determine seguir ou não o calendário cristão?

Baseado nessas perguntas que fiz, pensei: “Se o seu terreiro suspende atividades durante a quaresma e você está feliz com isso, ótimo!Se o seu terreiro entende que não deve seguir essa prática e acha que deve funcionar da mesma maneira como nos demais meses do ano e você está feliz com isso, que bom para você! Em poucas palavras, seja feliz com aquilo que acredita e pratica!”

E antes que me perguntem “e você, o que acha?”, trago-lhes algumas ponderações estritamente pessoais.

Não é uma novidade para nenhum de nós que a Umbanda tem (com maior ou menor influência) em suas raízes muitos fundamentos e tradições das culturas indígena, africana e católica (por somente citar três). São as giras de caboclos, o culto aos Orixás, e, em muitas casas, os altares – congás – com imagens católicas que comprovam essas bases das expressões culturais que nos formam.

Quantos umbandistas, quando em momentos de aflição e dúvidas, não lançam mão de seus pedidos aos santos católicos (e não no sentido sincrético da questão). Quantos adeptos da religião levam seus filhos para serem batizados na Igreja, realizam suas cerimônias de casamentos ou mandam rezar missas de 7º dia de falecimento de um ente querido?

Cabem duas perguntas (retóricas tão somente): Para algumas coisas, seguem os rituais e os procedimentos católicos e para outro não? Acrescento outro questionamento: Se não devemos seguir o calendário cristão (respeito a opinião de quem assim pensa), por que motivos fazemos festas de Ogum no dia 23 de abril? Sem precisar responder, gostaríamos que só para pensássemos nisto.

Por outro lado, vejamos a questão da suspensão das atividades de um terreiro na quaresma se considerarmos que este evento não pertence ao calendário da religião:

As igrejas deixam de funcionar ou deixam de realizar seus ritos completamente? Já pararam para pensar sobre o que a igreja faz ou deixa de fazer durante o período entre a Quarta-feira de cinzas e o Domingo de Páscoa? E os motivos e justificativas para isso?

Sei que não respondi diretamente o que alguns gostariam de ler/ouvir sobre o que acho do tema.

O que realmente sei é que antes de começar uma batalha de imposições e tentativas de afastar ou aproximar a Umbanda de tal ou qual matriz, devemos lembrar que nossa amada religião é plural, como plural é o berço pátrio onde ela nasceu. Uma religião que abraça e acolhe, respeita e entende a todos os que cruzam os portais de uma Tenda não pode criar estranhamentos. Por fim, ainda que saibamos que as arestas e tensões não são criadas pela Umbanda e sim pelos homens que frequentam as Casas, é nosso dever dizer:


“Buscai primeiro o reino de Deus (Olorum, Oxalá, Tupã, como achar melhor) e a sua justiça, e todas as suas coisas vos serão acrescentadas.” (Mateus 6: 33).


segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

ZÉLIO FERNANDINO DE MORAES





Assim como Jesus agradeceu ao Pai por haver revelado o Reino (caminho espiritual) aos pobres e pequeninos, e não aos sábios e entendidos, nós, umbandistas, humildemente, fazemos o mesmo. A Umbanda não nasce das mãos de um teólogo, de um acadêmico, de um doutor, mas no cotidiano de um adolescentezinho de 17 anos, considerado louco e endemoninhado, que, sem vaidade alguma, aceitou sua missão espiritual e colaborou para o Caboclo das Sete Encruzilhadas, Pai Antônio e tantos, sob a égide dos Orixás, abrir corações e casas para a prática da caridade.
BARBOSA JR., Ademir. Teologia de Umbanda e suas dimensões. São Paulo: Anúbis, 2016, p. 24.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

NOSSA RESPONSABILIDADE COMO UMBANDISTAS



Tenhamos sempre em mente que ao aceitarmos a missão de nos tornarmos médiuns temos direito e deveres a serem cumpridos. Devemos reverenciar o sagrado chão do terreiro que pisamos, assim como, também, é nosso dever reconhecer e respeitar aqueles que carregam consigo a sabedoria do tempo (os que nos antecedem). A humildade e a devoção são atributos a formar o caráter dos que compõem a família umbandista. Nosso aprendizado está no convívio e contato tanto com nossos irmãos como com os entes de luz que nos brindam com suas vibrações e seus ensinamentos. Nossa fé cresce pela prática e dedicação. Entretanto, não devemos nos esquecer de que também é nossa tarefa difundir com conhecimento e fundamentos a nossa religião. Para tanto, pergunto-lhes: interessamo-nos plenamente em aprender mais sobre nossa Casa? Há em nós o firme propósito de buscar conhecer mais e poder falar com propriedade quando somos inqueridos sobre a nossa religião?
Como conversador que sou, em muitos momentos, ouvi relato de pessoas que frequentam terreiros e que não se sentem capazes de falar sobre aquela Casa que os recebe. Não se trata de especulação ou curiosidade vã. O ponto a ser observado é tão somente o seguinte: se uma pessoa que diz participar de uma comunidade religiosa não consegue ter uma ideia – ainda que abrangente – do templo que conhece, quem de fora seria, então, capaz de entender os fundamentos, os rituais, as histórias e os históricos do local? Pensemos nisto. Reflitamos sobre o que aqui dizemos.
Compartilho um exemplo que ajudará a entender o objetivo desta “nossa” conversa. Se, em algum momento, alguém lhe perguntar sobre “a sua Umbanda”, você seria capaz de responder? Há alguma dúvida sua na hora de responder? Pergunte-se: “Por que eu não sei sobre isto que vejo no terreiro que frequento?”
Não pensem que a situação é isolada ou absurda, porque não é! Muitos, por diversos motivos (vergonha, receio de perguntar, julgamento de que sua dúvida é tola, etc. etc. etc.), acabam deixando passar a oportunidade de conhecer e saber. O resultado é exatamente aquilo que falamos acima. Uma pessoa “de fora” que não entende e desconhece “do riscado” termina por fazer um juízo de valor distante da verdade. E a notícia corre mundo.
Outro exemplo muito ilustrativo encontra-se na figura de exu. Quantas vezes ouvimos descrições absurdas sobre as entidades de esquerda? Quantos impropérios aqueles que nunca conheceram um exu ou uma pombogira já falaram sobre eles? Somos capazes de explicar para quem nada sabe quem são os guardiões da nossa Umbanda?
Por isso, amigos, buscar o conhecimento com discernimento e confiança nas informações é fundamental. Importantíssimo é ter a certeza da seriedade de quem fala, do cabedal de conhecimento e seriedade com que leva a religião.
Uma bela proposta neste sentido tem sido veiculada na rede mundial de computadores. Um projeto honesto e simples (como simples é a nossa religião) de divulgação das diferentes formas de praticar a Umbanda, plural e mágica.
Aqui fica o convite para que acessem a Revista do Leitor Umbandista (www.umbandavale.com.br) e travem contato umbandistas imbuídos da missão de difundir com clareza e verdade a beleza de nossos cultos e crenças. Mensalmente, escritores nos brindam com belos textos sobre os mais diferentes modos de vivenciar a nossa Umbanda. Ajudem-nos a difundir a revista. Deem suas opiniões, sugestões e convidem mais e mais amigos. Certamente nos veremos lá.

Daniel Soares Filho (Escritor umbandista. https://somosumbanda.blogspot.com)

MEDITAÇÕES DA GALERA UMBANDISTA



Médium não é X-Man, não tem poderes, mas dons, que precisam ser desenvolvidos, trabalhados e colocados à disposição da comunidade.
Orixá não é personagem de cards, com super-poderes que vão detonar os inimigos, ou seja, aqueles que nos fazem mal ou discordam de nós. Orixás são divindades, procedem da Fonte Divina, agem em nome dessa Fonte para o equilíbrio.
Guia no pescoço não é correntinha, bijuteria ou piercing. É proteção, tem função litúrgica, é, ainda, símbolo de ligação com os Orixás, Guias, Guardiões.
Roupa de Santo não é fashion week de Orixá, é uniforme de trabalho, de serviço, forma de se apresentar aos Orixás, aos Guias, aos Guardiões para serviço de autoconhecimento, equilíbrio e caridade para com o próximo.
Ponto cantado não é samba, não é funk, não é pagode, nem forma de seduzir alguém do templo ou da assistência: é firmeza do Orixá, para a casa e o próprio médium.
Dançar para o Santo não é faze bailão, coreografia de programa de auditório ou dança de salão: é manifestar a alegria e comungar do Axé de cada Orixá, de cada Linha.
Sejam realmente filhos de Orixá, irmãos de todos e, ao mesmo tempo, aprendizes e mestres dos mais velhos, pois todos temos experiências para trocar e crescer juntos, na fé e na fraternidade.


BARBOSA JR., Ademir. A Bandeira de Oxalá - pelos caminhos da Umbanda. São Paulo: Nova Senda, 2013, pp. 75-76.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

ORIXÁ REGENTE




Pelo que vejo na maioria das fontes o Orixá regente para esse ano que se iniciou é Pai Ogum. De uma coisa estou certo: será um ano de vitórias, de ordem, da execução da Justiça Divina. Ano passado regeu o Orixá Xangô, responsável pela justiça. 


Pai Xangô julgou e proferiu sentença. Agora Pai Ogum executa.

Sendo assim é um ano que promete caminhos abertos, batalhas que serão vencidas, enfim, é momento de ordem. 

Mas cabe lembrar que se você não procura reavaliar suas atitudes e posturas, bem como se sintonizar com a energia do Orixá regente, de pouco importa. O segredo para um ano melhor é reforma íntima, ao invés de depositar sempre no orixá a obrigação de melhorias em nossas vidas, mesmo quando não se faz por merecer.

Que Pai Ogum abençoe o ano de todos !

E que Deus Pai o Supremo Criador permita a todos que buscam Nele a inspiração um 2019 maravilhoso.

OGUNHÊ !! PATACORI OGUM !


sábado, 29 de dezembro de 2018

MAGIA PARA DERROTAR INIMIGOS




Existe magia para derrotar inimigos? Sim. E poderosa. O parente fofoqueiro. O chefe inescrupuloso. A vizinha invejosa. O colega maledicente. Todos que o (a) prejudicam no cotidiano podem ser afastados e/ou derrotados por essa magia poderosa, porém extremamente trabalhosa para a maioria de nós, que precisamos pouco a pouco conhecer seus elementos e a maneira de combiná-los. Antes de utilizar-se dessa magia é preciso ter certeza de que realmente deseja praticá-la e estar ciente de seus efeitos, uma vez que ela é IRREVERSÍVEL.
Essa magia/técnica é composta de amor, perdão, boas vibrações.
O dito “inimigo” é um “não amigo” e muitas vezes realmente foi pessoa próxima, do convívio íntimo. Muitas vezes, até mesmo por segurança física e/ou emocional, a convivência não é mais possível, contudo o amor e a compaixão podem ser vivenciados também a distância.
O perdão liberta em primeiro lugar quem o dá. É sinal de desapego. Porém, deve ser vivenciado sem cobrança, na medida e no ritmo de cada um.
Preces, meditações, boas vibrações para que o dito “inimigo” seja feliz. Afinal, gente feliz não incomoda.
ATENÇÃO: essa magia também funciona para os ditos inimigos internos: amar a si mesmo, perdoar-se, vibrar, agradecer e pedir o melhor para si, sempre em respeito à sua integridade e ao livre-arbítrio dos outros.
Com essa técnica poderosa inimigos são derrotados e se tornam parceiros e mestres, ainda que muitas vezes, daquilo que NÃO serve para nossas vidas.

            Abraço, gratidão e Axé!

Ademir Barbosa Júnior
(Pai Dermes de Xangô)

BARBOSA JR., Ademir (org). A Umbanda no século XX: olhares e diversidades. São Paulo: Sattva, 2018, pp. 8-9 (e-book).

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

PROJETO: CANTINHO DOS AUTORES



Depois do sucesso da Revista do Leitor Umbandista (www.umbandavale.com.br) que no dia 20 do mês corrente terá seu sétimo exemplar lançado, estou iniciando a atividade desse blog que pretende seguir a mesma linha de pensamento da revista, proporcionando textos de qualidade e inteiramente gratuitos, fomentando a leitura umbandista, bem como proporcionando aos leitores conhecerem o trabalho de cada um dos autores que vierem a participar desta empreitada.

A máxima de todos os projeto anteriores é sempre a mesma: respeitar a pluralidade de opiniões e as múltiplas vertentes do cenário umbandista atual. Dessa forma cada autor se responsabiliza inteiramente por seus conteúdos. Dessa forma convido a todos escritores interessados a participarem do projeto.

Por: Luciano Pereira